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A História da Fisiognomia: Do Egito ao Império Romano
Publicado por Welber Márcio Delmiro e Silva (
IBRAFIS)

A história da Fisiognomia começou antes mesmo do homem desenvolver a linguagem verbal. Ela foi um meio para a comunicação primitiva entre os Seres Humanos, auxiliou na criação dos arquétipos míticos, contribuiu para o desenvolvimento das ciências da saúde, da literatura, da arte e da política, fundamentando muito da cultura e conhecimentos com os quais convivemos até os dias de hoje.

Marcos Históricos da Fisiognomia do ano 3.000 a.C. até o Império Romano:
3000 a.C.  Os Egípcios criaram diversos arquétipos míticos, associando o caráter e comportamento de seus Deuses ao dos animais com os quais conviviam. Eles estudaram rostos e corpos para compreender como as pessoas se comportavam. Desenvolveram também uma grande revolução na arte e política com seus monumentos e pinturas da figura humana.

– A Tradição Indiana, explorou uma série de estudos sobre a constituição e tipologia através dos Vedas e da Medicina Ayurvedica. Eles desenvolveram o “Tridosha” com os três princípios vitais: Sattva, Rajas e Tamas, e com a sua combinação, conceberam os cinco elementos: Terra, Água, Fogo, Ar e Éter. Estas concepções foram base para a maioria das teorias orientais sobre a Fisiognomia e também para os estudos constitucionais e tipológicos da antiguidade até os dias atuais.

Em tese, as teorias da neurociência e da formação da personalidade mais atuais, encontram semelhanças incríveis com as definições arquetipicas ligadas à Tradição Indiana. Os dois padrões mais presentes nas teorias tipológicas modernas – triúnico e quaternário – já existiam por influência dos Três Doshas: Vata, Pitta e Kapha e também do sistema de castas indiano (Varna) que dividia o corpo de Brahma em quatro partes, dando origem a quatro castas principais: os Bramanes (cabeça), os Xátrias (braços), Vaixás (pernas) e os Sudras (pés).

2600 a.C. Na China, a Fisiognomia ou Siang Mien teve as suas primeiras raízes no livro Nei Jing – “O Clássico do Imperador Amarelo”. Esta obra, considerada um dos livros fundamentais da Medicina Tradicional Chinesa, lançou bases para a Fisiognomia através do Su Wen (Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo), onde se encontra os princípios fundamentais Fisiognomia oriental: o Yin e Yang, os Cinco Elementos e a Energia Chi. O mais antigo manuscrito encontrado do Nei Jing, data de 720 a.C. acredita-se que esta obra tenha sido transmitida oralmente de geração a geração até que fosse formalmente documentada.
700 a.C.  Homero, poeta grego, trabalhou com descrições muito detalhadas dos seus personagens, associando a estrutura física deles a comportamentos e tipos de caráter específicos em suas obras: A Ilíada e a Odisséia.

500 a.C.  Pitágoras (581-497 a.C.), escreveu sobre a Leitura Facial. A Fisiognomia era utilizada por ele como parte do seu processo de entrevista para a aceitação de novos alunos em sua escola.

- Dario I – O Grande Rei da Pérsia (Pérsia 521 a.C. – Egito 486 a.C.) já usava o conhecimento da Fisiognomia associado à arte como uma das primeiras ações de marketing político da história. Em seu reinado, se utilizou muito da imagem humana como forma de estabelecer influência em seu império e diante de estrangeiros. Foi ele o inventor do “logotipo” que usamos até hoje. Com um grande império, precisava se fazer reconhecer diante de todos os seus súditos e, para isso, mandou cunhar moedas com o seu corpo e rosto para criar um impacto benéfico em relação à sua imagem. Este ato foi mais tarde imitado também por Alexandre e diversos outros imperadores e governos.

- A Arte Grega, que começou a formar a sua originalidade no período Dedálico (cerca de 650 – 600 a.C), expressou muito a evolução da Tradição Fisiognomônica em seus 500 anos de história, até o seu declínio quando a Grécia foi tomada pelo Império Romano em 100 a.C.

O último e mais brilhante período da Arte Grega (Período Helenístico), marcada por suas impressionantes esculturas, exalta a relação entre as expressões, o corpo e o caráter, com o objetivo de representar a vida interior do personagem retratado, conforme o conhecimento fisiognomônico acumulado até a época.

400 a.C.  Hipócrates (460-377 a.C.), grego, considerado o pai da medicina,  reconheceu a Fisiognomia em sua prática, e desenvolveu um sistema próprio com quatro tipos de temperamento: linfático, sanguíneo, bilioso e nervoso.

300 a.C.  Platão ( cerca de 427-347 a.C), famoso filósofo e matemático grego, cujo as idéias tem influenciado todo o pensamento ocidental, escreveu descrições das características físicas, especificando que significados teria para os seus proprietários. Para Platão, o homem era dividido em corpo e alma, sendo o corpo material e a alma imaterial. Segundo ele, o nosso corpo sofre transformações mas a alma nunca muda. Ele orienta que todos nós temos uma alma perfeita, mas com a nossa encarnação perdemos o contato com ela, por aprisioná-la ao corpo.

Platão, ensinava que a alma aprisionada no corpo era dividida em três partes: Racional: cabeça; responsável pelo controle das outras duas partes. Sua virtude é a sabedoria ou prudência (phrónesis). Irascível: tórax; parte da impetuosidade, dos sentimentos. Sua virtude é a coragem (andreía). Concupiscente: baixo ventre; apetite, desejo, mesmo carnal (sexual), ligado ao libido. Sua virtude é a moderação ou temperança (sophrosýne).

Ele foi um dos primeiros a fundamentar o princípio da divisão do corpo em três partes funcionais e, assim como a Tradição Indiana, inspirou as teorias modernas quanto à tri-unidade do Ser: Mental, Emocional e Instintivo. A teoria do Cérebro Triuno proposto por Paul MacLean na neurociência é um exemplo dessa influência, assim como o Id, o Ego e o Superego, proposto por Freud na psicanálise.

Aristóteles (384-322 a.C.), que foi discípulo de Platão, avançou a teoria da fisionomia em sua obra “História Animalium” na qual dedicou seis capítulos ao tema.

100 a.C. Imperio Romano – A Fisiognomia era uma profissão honrosa durante o Império Romano, onde era utilizada como um sofisticado sistema para o delineamento de caráter. Os conhecimentos da Fisiognomia também foram decisivos na política romana. Augusto – (Caio Júlio César Otaviano) – Imperador Romano, influenciado pela arte e conhecimento grego da Fisiognomia, mandou esculpir sua estátua com características físicas e visuais que o mostrasse ser um imperador humilde, justo e pacífico para influenciar o império e angariar apoio político, uma vez que todos temiam um ditador como o seu antecessor. Com a estátua ele triunfou e chegou ao poder que almejava. Augusto utilizou-se também, da mesma estratégia de Dario e Alexandre, cunhando moedas com a sua face para impor a sua presença e mensagem na vida diária de todas as pessoas do seu império.

Do Império Romano à Atualidade

A fisiognomia sempre foi objeto de interesse e estudo dos mais importantes e influentes homens da história da humanidade, apesar de ter sido ofuscada no fim do século 19 e início do século 20 pela mentalidade imatura e preconceituosa que permeava a ciência e a sociedade da época.

A idéia de se compreender o comportamento através do corpo sempre foi nobre, entretanto, o olhar do Ser Humano ao longo dos séculos nem sempre compartilhou de nobreza para com os seus semelhantes, buscando enxergar paranoicamente mais os defeitos de moral e caráter, que o lado positivo e sadio do Ser Humano.

Talvez por isso, a medicina, a psiquiatria e a psicologia, tenham falhado em suas observações quanto à fisiognomia, uma vez que tanto nas suas pesquisas antigas, quanto nas atuais, (não todas obviamente) insistem em identificar o lado defeituoso, doente e psicopatológico do Ser Humano através do corpo. O foco no comportamento disfuncional associado ao determinismo e reducionismo científico tem mais prejudicado que contribuído para o progresso neste tipo de pesquisa. Pessoas que passam décadas estudando humanos “quebrados” e procurando falhas para serem consertadas, não conseguem vislumbrar o prazer de se contemplar e buscar compreender o Ser Humano sadio, seus talentos e potenciais.

O interesse dos cientistas tem redundado no querer descobrir indícios de agressividade e de mácula do Ser Humano em suas pesquisas. Estimam criar métodos para saber se as pessoas estão sendo mentirosas, se este ou aquele tipo de pessoa pode ser melhor que as outras e se este ou aquele perfil pode representar algum perigo social. Poucos são os interessados no Ser Humano sadio, funcional e no desenvolvimento das suas potencialidades. Isto é triste para a idéia da fisiognomia no campo científico, pois tendem a tentar empregá-la somente com uma visão paranóica, como um meio de tentar compreender os defeitos e psicopatologias humanas através do corpo.

Atualmente, o estudo das relações entre o corpo e o comportamento humano tem sido revisitado por inúmeros pesquisadores independentes e cientistas. Seja de modo parcial ou de forma mais integral, a tradição fisiognomônica vem se fortalecendo na medida em que os Seres Humanos desenvolvem uma maior maturidade sobre si mesmos, respeitando e buscando compreender seus semelhantes independente das suas diferenças culturais, físicas ou comportamentais.

Chegamos a um tempo no qual o conhecimento e o contato com a diversidade humana é o ponto fundamental para o desenvolvimento de uma consciência mais avançada na humanidade. Integrar essa diversidade e combater preconceitos e estereótipos sociais é um dos paradigmas centrais da fisiognomia na atualidade, pois ela prova a nossa igualdade como seres humanos, independente da etnia, cor da pele ou formas corporais.

Marcos Históricos da Fisiognomia do Império Romano à Atualidade:
 
100 d.C Galeno (150 d.C) proeminente médico e filósofo romano de origem grega que influenciou a medicina ocidental por mais de um milênio, baseava a sua medicina considerando a personalidade dos seus pacientes. Orientava-se na Medicina Hipocrática e na teoria dos humores que eram identificados através do rosto e do corpo: Sanguíneo, Colérico, Melancólico e Fleumático. Algumas das suas idéias foram vigentes na medicina ocidental até o século XVIII.

900 d.C Rhazis (séc. 860 – 925), médico persa inovador, escreveu sobre a Fisiognomia, refinando as idéias de Aristóteles.

1000 d.C Avicena (980 – 1037), Averroes (1126 – 1298), Ali Ben Ragel (Séc. 1100), médicos e filósofos árabes trataram sobre a arte da fisiognomia em De Anibalibus.

1200 d.C O Zohar – Livro do Esplendor, considerado um das obras mais importantes sobre o Misticismo Judáico e a Cabalá, inclui uma seção sobre a fisiognomia.

Michael Scot, (séc. 1175 – 1234), médico e astrólogo do Imperador Frederico II, escreveu o primeiro livro inteiramente devotado à fisiognomia, chamado: De Hominis Physiognomia.

Alberto Magno (1193 – 1280), professor de Tomás de Aquino, e Tomás de Aquino (1225 – 1274), Santos da Igreja Católica, estudaram e escreveram sobre a fisiognomia.

1400 d.C Johanne Reuchlin (1455 – 1522) humanista alemão, comentou sobre a fisiognomia em seu livro De Arte Cabbalistica. Shakespeare, Milton, Dryden, Descartes, Spinoza fizeram uso da teoria da fisiognomia na composição das suas obras.

Giovanni Pico della Mirandola (1463 – 1494), humanista e filósofo italiano, escreveu 900 teses conciliando o cristianismo e o pensamento platônico. Ajudou a introduzir idéias de Platão sobre a fisiognomia no período do Renascimento.

1500 d.C Giambattista Della Porta (1538 – 1615), brilhante italiano, sintetizou várias disciplinas e abordagens da fisiognomia e suas obras De Humana Physiognomonia e De Physiognomonia Coelesti.

1600 d.C Francis Bacon (1561 – 1626) considerado o fundador da ciência moderna, refutou a teoria fisiognomônica aristotélica da semelhança Homem/Animal e esforçou-se para estabelecer uma nova abordagem com o seu trabalho: De Augmentis Scientiarum. Ele utilizou uma abordagem metodológica para o estudo das formas e características físicas.

1700 d.C Johann Kaspar Lavater (1741 – 1801), pastor alemão, professor, poeta e artista dedicou-se a classificar as características faciais relacionando-as com habilidades mentais e predisposições comportamentais em sua obra “Essays in Physiognomy” (Physiognomische Fragmente zur Beförderung der Menschenkenntnis und Menschenliebe), publicado em 1775. Sua obra tornou-se um recurso importante para o estudo do comportamento por mais de um século. Lavater rejeitou a astrologia, a adivinhação e a Teoria da Semelhança Homem/Animal, coisas associadas à fisiognomia no passado. Ele buscou aplicar o método científico na sua observação, descrições e desenhos do rosto.

Sua obra influenciou milhões de pessoas em toda a Europa e Estados Unidos, foi traduzida em várias línguas, com mais de 150 edições, sendo a última em 1940. Ele foi considerado “o pai da fisiognomia”, embora a sua teoria não tenha mais nenhuma validade prática para os dias atuais.

Franz Joseph Gall (1758 – 1828), Apesar de não se tratar de fisiognomia, a Frenologia foi uma pedra no caminho desta e responsável pelo seu declínio no início do século XX. A Frenologia foi criada por Franz Joseph Gall, que propôs a teoria de que a forma e os contornos do crânio refletiriam a estrutura do cérebro e as suas funções corporais. Buscava-se através da Frenologia descobrir as tendências morais, faculdades mentais e dados sobre a personalidade, medindo literalmente a topografia do crânio.

O trabalho de Gall foi desenvolvido adotando-se o método científico vigente na época, porém, atraiu a ira da igreja, por defender que a mente era localizada na cabeça (A igreja considerou a teoria dele como contrária à religião. Para a igreja na época era um anátema acreditar que a mente, criada por Deus, tinha um local físico). A ciência oficial também o condenou por muitas razões, incluindo o fato de que ele não pôde fornecer provas científicas concretas sobre a sua teoria.

A popularidade da frenologia atraiu um mundo de pessoas, e, entre estas, um grande números de charlatães que prometiam mundos e fundos com a técnica, transformando-a numa panacéia. Johann Gaspar Spurzhiem, aluno de Gall, foi quem cunhou o termo “frenologia” à antiga cranioscopia proposta anteriormente. Ele foi também o responsável pela popularização da frenologia em toda a Europa e América. As alegações da frenologia serviram de base para justificar o racismo científico na Inglaterra, Europa e Estados Unidos, sendo os seus mitos e estereótipos disseminados por todo o mundo, até mesmo para o Brasil.

Os usos e abusos da frenologia acabaram ridicularizando-a e a desacreditando no meio científico e social. A frenologia, foi um dos fatores responsáveis pela desestimulação e condenação de estudos científicos que viessem tratar da associação entre o corpo e comportamento nas universidades e formações de psicologia até a década de 70 aproximadamente. Foi a “Idade das Trevas” para a fisiognomia, até que a ciência se amadurecesse novamente por causa das evidências inquestionáveis da relação entre o corpo e a mente, redescobertas pelo avanço da neurociência e da psicossomática.

1900 d.C - Ernst Kretschmer, (1888 – 1964 ) considerado um dos mais importantes psiquiatras do início do século XX, lançou em 1921 o livro: Body Structure and Character. Ele alegou que as propriedades físicas da face e estrutura do corpo estavam ligados a temperamentos e poderiam dar indicações de doenças psiquiátricas.

Kretschmer acreditava que a inteligência (genialidade) poderia ser cultivada através da mistura de etnias e classes, a teoria dele contrariava a doutrina nazista de uma raça ariana superior. Quando o nazismo elevou-se ao governo alemão em 1933, Kretschmer protestou renunciando sua posição como presidente da Sociedade Alemã de Psicoterapia. Surpreendentemente, Kretschmer trabalhou na Alemanha durante o período da dominação nazista sem ser perseguido. Muitos de seus colegas alemães psiquiatras e psicólogos deixaram o país. Embora a sua teoria original tenha sido refutada, muitos dos seus elementos ainda são considerados na psiquiatria atual com as devidas atualizações em seus conceitos e aplicações. Ele estabeleceu três tipos constitucionais: o Atlético, o Picnico e o Astênico. O seu trabalho foi o ponto de partida para Sheldon, em sua Psicologia Constitucional.

William H. Sheldon, (1898 – 1977), psicólogo e médico, desenvolveu em 1940 a teoria da Psicologia Constitucional, que defendia a existência de três tipos básicos do corpos, ou somatotipos, com base nas três camadas de tecido: endoderme, mesoderme e ectoderme, cada uma associada a características de personalidade, o que representa uma correlação entre o físico e o temperamento.

Seus trabalhos incluem: Psychology and the Promethean Will (1936), The Varieties of Human Physique (1940), The Varieties of Temperament (1942), The Varieties of Delinquent Younth (1949) e The Atlas of Men (1945). Ele realizou sua pesquisa através de um número diverso de universidades e hospitais utilizando-se da metodologia científica. Muitas das pessoas utilizadas como base para a pesquisa de Sheldon (cerca de 4.000) eram estudantes das mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos, e em sua pesquisa foram aproveitadas fotos tiradas num estudo anterior conduzido por ele sobre postura (lordose, escoliose, etc..) nas quais os estudantes eram fotografados nus ou seminus de frente, de perfil e de costas. Tal fato fez com que ele obtivesse imensas críticas ao seu trabalho, até por que muitos desses alunos se tornaram personalidades famosas.

Outro fator que contribuiu para a desvalorização do seu trabalho foi a segunda guerra mundial. Na época da sua pesquisa, os Estados Unidos defendia e patrocinava as idéias Eugenistas e, por causa de um excelente e elogiado aluno (Adolf Hitler) das idéias Inglesas e Norte Americanas sobre a Eugenia, a vergonha veio à tona para tais países que motivaram o racismo científico (Inglaterra e principalmente EUA) e em decorrência disso, veio a decisão de extinguir qualquer rastro que evidenciasse a sua responsabilidade por seus atos na história. Todas as pesquisas relacionadas ao estudo da relação entre o corpo e o comportamento, que poderiam denotar alguma semelhança com as teorias eugenistas foram desestimuladas, ignoradas, combatidas e vetadas nas academias. Então, sobrou para Sheldon, que se utilizou da antropometria e idéias da antropologia criminal, largamente usadas por diversas ciências em sua época, e claro, também pela eugenia.

1920 - Edward Vincent Jones, que era um juiz de Los Angeles em 1910, intrigado pelos livros de Katherine Blackford sobre a caracterologia, começou um estudo independente em 1920 para criar uma síntese entre a caracterologia, a frenologia e a fisiognomia, baseando-se nas várias descobertas da neurologia e medicina que surgiram durante a primeira metade do século XX. Com o resultado dos seus estudos criou um método de análise do comportamento através do corpo e do rosto denominado Personologia.

A primeira fase da sua pesquisa se deu no período compreendido entre a década 20 e 40, na qual trabalhou numa série de correlações empíricas a partir de materiais históricos ligados à relação entre o corpo e o comportamento.

Na década de 50, buscou validar o seu método estatisticamente por meio de pesquisas independentes, realizadas na Personology Foundation em parceria com Robert L. Whiteside (autor do livro Face Language) e uma equipe de personologistas que conseguiram validar 68 traços de personalidade associados a determinados padrões corporais, dentro de um nível de acerto superior a 92%.  Foram estudados 1050 voluntários para tal pesquisa, segundo publicado pela Fundação. Embora inovadores, acabaram apresentando preconceitos típicos das décadas de 1940 e 50 em suas obras. Porém, desde essa época, a personologia tem sido reciclada e atualizada por meio de novas pesquisas.

Uma pesquisa iniciada em 1980 por diversos personologistas, entre eles, o Dr. Michael Bader, físico, Daniel Whiteside, (filho de Robert Whiteside); Stokes Gordon e William Burtis, Ph.D em Psicologia pela Hamilton University, provocou uma grande revisão na teoria e linguagem da personologia, atualizando-a para a visão contemporânea sobre o comportamento humano. Esta reformulação rompeu com a perspectiva negativa sobre o Ser Humano típicas das décadas de 40 e 50. As pesquisas em torno da personologia continuam desde a década de 80, tendo William Burtis como um dos principais responsáveis pelas mesmas. Burtis, é considerado a maior autoridade em personologia da atualidade.

1937 – Dr. Louis Corman (1901 – 1995), psiquiatra e psicólogo francês, criou em 1937, uma nova abordagem para a análise do comportamento através do rosto denominada Morfopsicologia. Inspirado em Claude Sigaud, procurou fundamentar o seu método cientificamente através de Leis Biológicas (Dilatação e Retração, Tonicidade-Atonia) e Leis Dinâmicas (Equilíbrio e Harmonia, Integração e Evolução). Por possuir uma fundamentação teórica consistente, a morfopsicologia é atualmente uma das mais importantes abordagens da relação entre o rosto e a personalidade existente, contribuindo para uma revisão e ampliação dos métodos anteriores de fisiognomia. Em seu método, a análise do rosto não se dá por partes isoladas, mas sim pelo inter-relacionamento de todas as partes que compõem o rosto, além de outros fatores complementares.

Durante a sua vida, Corman publicou diversas obras sobre o tema: 15 Leçons de Morphopsychologie (1937), Le Manuel de Morphopsychologie (1948), Le Nouveau Manuel de Morphopsychologie (1967), Le Diagnostic de l’intelligence par la Morphopsychologie (1974), Connaissance des Enfants par la Morphopsychologie (1975), Types Morphopsychologiques en Littérature (1978), Visages et Caractères (1985), Caractérologie et Morphopsychologie (1980), Nietzsche, Psychologie des Profondeurs (1982) e La Bisexualité Créatrice (1994).

Em 1980, Corman fundou a Sociedade Francesa de Morfopsicologia com o objetivo de expandir o conhecimento da Morfopsicologia através de formações, pesquisas e divulgações sobre o tema. A SFM conta com diversos professores autorizados para a certificação em Morfopsicologia em todo o mundo, entre eles, destaco o Dr. Julián Gabarre, primeiro espanhol certificado pela SFM, que recentemente (09 de julho de 2010) conquistou o Doutorado em Psicologia defendendo a tese: “Rostro y Cerebro: dos caras de una misma realidad” pela UAB – Universitat Autònoma de Barcelona. Os trabalhos de Corman e Gabarre constituem algumas das bases fundamentais do método de análise comportamental desenvolvido no Ibrafis, embora prefiramos manter a denominação “Fisiognomia” em homenagem à história e tradição do estudo das relações entre o corpo e comportamento. Devemos a Corman e Gabarre enormes agradecimentos pelos precedentes que nos permitem fundamentar e ampliar as investigações nesta área tão importante para o desenvolvimento humano. Desde Corman, a morfopsicologia vem passando por diversas mudanças em seus conceitos e aplicação, visando o seu progresso e adequação às novas descobertas na área.

1998 – Rose Rosetree, escritora e terapeuta americana, desenvolveu um método próprio de fisiognomia entre as décadas de 80 e 90 baseando-se em várias fontes e em suas experiências na aplicação da técnica. Ela é considerada a “mãe” da fisiognomia moderna e ajudou a resgatar e popularizar o conceito da fisiognomia nos Estados Unidos e em todo o mundo. Seus livros: The Power of Face Reading e Wrinkles Are God’s Makeup são dois dos mais importantes livros sobre o tema da atualidade.

A abordagem de Fisiognomia de Rose Rosetree, rompeu com a visão médica/psiquiátrica que dominava a observação do comportamento nas teorias anteriores de fisiognomia, estas abordagens antigas tendiam a enxergar apenas o lado psicopatológico do comportamento humano e a sua índole, Rose porém, focou no Ser Humano saudável, considerando os comportamentos como talentos potenciais, que podem ser gerenciados para o autodesenvolvimento.

Hoje, existem muitos livros no mercado, provenientes de várias fontes, incluindo a Tradição Chinesa, Personologia, Morfopsicologia e o método de Rose Rosetree, além de vários outros que desenvolveram seus próprios métodos de fisiognomia.
Mundialmente, está havendo um grande movimento e discussão acerca do tema, uma vez que a mentalidade científica tem avançado para compreender a importância da relação entre o corpo e o comportamento. Diversos estudos, independentes e científicos, têm contribuído para aumentar o rigor e a profundidade do conhecimento e aplicação da fisiognomia.

Espero que nos próximos anos, o seu estudo atraia mais e mais pesquisadores, seja para ampliar a sua fundamentação teórica, seja para refutar as suas teorias vigentes, contribuindo para o seu constante desenvolvimento e adequação às conformidades científicas. A Tradição Milenar da Fisiognomia é um imenso tesouro a ser resgatado e atualizado para um maior progresso, o amor e compreensão entre os homens.

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